Falar sobre morte não faz parte da cultura do brasileiro. Pelo contrário, muitas pessoas evitam até por medo de atrai-la ao conversar sobre finitude. 

 

Entretanto, tem sido cada dia mais frequente a distanásia, aquela morte prolongada com o uso de recursos excessivos, desproporcionais até, que o avanço da medicina e da tecnologia possibilita atualmente. Medida que se reforça também com o ensino médico que privilegia o curar e o salvar vidas. E que somente de pouco tempo pra cá tem dado espaço aos Cuidados Paliativos.

 

Testamento Vital

 

As Diretivas Antecipadas de Vontade (Testamento Vital) não se confunde com o pedido de eutanásia, definida como morte antecipada a pedido do paciente, que é proibida no Brasil.

 

Trata-se da possibilidade do cidadão deixar, por escrito, a declaração de sua vontade, ou seja, nos casos em que se atinge a terminalidade da vida, em doenças crônicas ou acidentes graves sem possibilidade de recuperação, quais os tratamentos que quer, ou não, a que seja submetido. Se deseja o uso de tratamentos paliativos que proporciona conforto, ou os agressivos e intervencionistas que podem prolongar a morte.

 

As Diretivas Antecipadas de Vontade (DAV) possibilitam a escolha entre a distanásia (adiamento da morte) e a ortotanásia que é a possibilidade de se ter uma morte digna, deixando a natureza seguir seu curso, mediante o desejo do paciente. 

 

Toda pessoa, maior de 18 anos, pode fazer o Testamento Vital. É um direito de cada um decidir o que deseja no final da vida. Uma maneira, inclusive, de se respeitar a própria biografia, podendo garantir que o momento final seja compatível com seus valores e com sua trajetória. 

 

Há respaldo legal, ainda que o tema necessite de regulamentação específica.

 

 

Não confunda!

 

É importante termos clareza e não confundir: Testamento Vital não tem nada a ver com Testamento Civil ou divisão de patrimônio. Não tem a ver com a sucessão testamentária no direito brasileiro. 

Testamento Vital vem da tradução literal de ‘living will’, denominação pioneira deste instituto, que surgiu nos Estados Unidos em 1969.

 

IMPORTANTE ESCLARECER 

Termos que definem formas de abordagem médica em relação à morte:

DISTANÁSIA

Caracteriza uma morte lenta, com sofrimento (utilização desproporcional de recursos tecnológicos para estender a morte)

 

 

EUTANÁSIAproibida no Brasil

Ato de antecipar a morte (realização do óbito por outra pessoa, a pedido do paciente)

 

ORTOTANÁSIA

Representa a morte natural, sem antecipação ou prolongamento (abstenção, supressão ou limitação de todo tratamento fútil, extraordinário ou desproporcional diante da iminência da morte)

 

 

 

A DECISÃO É DE CADA UM

 

Há os que não querem viver em coma, há os que querem viver a qualquer custo.

 

Há os que não suportam sofrimento, há os que acham que o sofrimento purifica.

 

Não se julga valores. Nenhuma decisão é mais correta que outra.

 

A decisão é de cada indivíduo. 

 

E deve levar em conta a sua biografia, os seus valores, a condição de vida que tem, a comunidade em que está inserido.

 

Tudo do seu jeito em toda a trajetória de sua vida!

 

 

 

QUEM PODE FAZÊ-LO?

 

Toda pessoa, lúcida, maior de 18 anos de idade. 

 

 

 

QUANDO FAZER?

 

Não há o momento ideal ou certo para preparar suas Diretivas Antecipadas de Vontade.

 

Há quem defenda fazê-la logo após receber um diagnóstico de doença grave.

 

Outros acham que o momento adequado é quando você se sentir pronto. 

 

Afinal, qualquer um de nós pode estar saudável, sofrer um acidente e ser condenado à morte.

 

A principal finalidade do Testamento Vital é que se possa fazer uma declaração antecipada de vontade, antes de chegar à condição de doente terminal, quando talvez você não possa se expressar adequadamente.